Como a crise afeta a segurança das pequenas empresas

Como a crise afeta a segurança das pequenas empresas

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Pesquisa da IDC Brasil diz que, em 2016, 14% das empresas reduziram seus investimentos em segurança digital.

Segundo pesquisa realizada pela IDC Brasil, empresa de consultoria em tecnologia da informação, a crise econômica atual fez com que mais empresas brasileiras diminuíssem os investimentos em segurança digital no último ano. Das 110 empresas que responderam ao estudo, 14% delas reduziram os recursos para proteção em 2016. Em 2015, esse número foi de 10%.

O mesmo estudo também mostra uma queda significativa no número de empresas que aumentaram seus orçamentos para a área de segurança digital. Enquanto em 2015, 63% delas ampliaram o investimento na proteção virtual, em 2016 esse número caiu para 42%. “A crise afeta diretamente a segurança digital das empresas, e nós percebemos que a influência é ainda mais forte nas pequenas e médias, que têm recursos limitados e são mais sensíveis às flutuações do mercado”, afirma Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria de software e serviços da IDC.

A segurança digital é um dos primeiros itens a receber cortes em época de crise

A segurança digital é um dos primeiros itens a receber cortes quando há um mal-estar na economia, mas isso deve ser feito de maneira inteligente. Ramos explica que, quando as empresas optam por diminuir as ferramentas de segurança, elas decidem manter apenas os serviços que consideram mínimos, como antivírus, que detecta a presença de softwares maliciosos no computador; certificados digitais, que garantem a identidade do servidor e a segurança das informações trafegadas na rede; e o firewall, que é, basicamente, um conjunto de regras que determina qual tipo de informação pode ser transmitida ou recebida. Só que essas opções são muito básicas e, no fim, não garantem muita proteção.

“Elas só fazem sentido se estiverem integradas com outras ferramentas. Não adianta se preocupar em manter fortificado apenas um lado do muro que protege a empresa, enquanto o outro lado fica exposto. E isso é ainda mais preocupante por estarmos no Brasil, onde existe um volume enorme de ataques”, diz.

Rodrigo Fragola, presidente da Aker Secutiry, empresa que presta serviços no setor, alerta para o olhar que o empreendedor deve ter sobre o tema: “Mesmo com menos recursos, a empresa não pode deixar de investir nessa área. É preciso estudar as opções e fazer novas escolhas, mas não se pode fragilizar a segurança. Isso porque, hoje, todo negócio precisa estar online. E a segurança digital, portanto, não é só mais um setor da empresa. Ela faz parte do negócio”.

Para Fragola, a maior preocupação, nesses casos, é o tempo que a empresa pode ficar sem investir em sua proteção virtual. Segundo ele, a partir de um ano sem atualizações, as defesas se tornam ineficientes e os riscos aumentam. “Um antivírus desatualizado por três anos, por exemplo, não serve para nada. E é por esse motivo que estamos preocupados com 2017. Trabalho há 20 anos com segurança digital e já passei por quatro crises, mas essa é a que tem causado mais estragos. Na crise de 2008, por exemplo, o mercado já estava recuperado no final de 2009. Só que a crise de agora tem se estendido muito, e se as ferramentas ficam muito tempo desatualizadas, a empresa fica desprotegida. ”

Fonte: Estadão PME

Guilherme Nogueira