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A Internet está morta. Será?

Nos últimos meses, tenho observado discussões sobre a suposta “morte” da Internet, também conhecida como a “Teoria da Internet Morta”. Embora contenha elementos conspiratórios de dominação e medo, não pretendo explorar esses sentimentos aqui.

O ponto crucial que precisamos entender é como chegamos à situação atual em relação às motivações originais da rede. Aqueles que acompanharam esse processo testemunharam, no surgimento da Internet, uma centelha de esperança na integração entre pessoas e na democratização da informação. Com esses dois pilares, imaginávamos construir um mundo melhor, mais compreensivo e racional. A tecnologia deveria conectar pessoas e derrubar barreiras. Essa era a utopia.

No entanto, não posso deixar de mencionar que, na última década, essa visão se mostrou equivocada. Embora tenhamos alcançado avanços significativos em alguns aspectos, também cometemos erros. Hoje, ao analisarmos a segurança de sites, percebemos claramente dois grandes movimentos: o aumento da automação e a crescente utilização da inteligência artificial.

O aumento da automação não é algo novo. Bots estão presentes em todas as esferas: coletam informações, automatizam respostas e inundam nossas timelines com propaganda. Atualmente, cerca de 48% do tráfego em sites conhecidos é atribuído a essas tecnologias. Plataformas de mídias sociais e mecanismos de busca utilizam bots para classificar e alimentar algoritmos de entrega. Além disso, empresas empregam bots para coletar dados, monitorar dispositivos e testar a segurança em ambientes interconectados.

Esse aumento no número de robôs se deve, em grande parte, ao crescimento da Internet das Coisas (IoT), que deve atingir 27 bilhões de dispositivos conectados. O senso comum de que “dados são o novo petróleo” impulsionou a coleta de informações em praticamente todas as atividades informatizadas, independentemente de uma análise prévia de seu real valor. A regra é coletar primeiro e avaliar posteriormente como usar esses dados.

Outro fator relevante é o uso da Inteligência Artificial (IA) para aprimorar a automação e, principalmente, para gerar conteúdo. Embora ainda estejamos nos estágios iniciais desse movimento, reconhecemos o potencial da IA. A geração de conteúdo por meio dela afeta diretamente a principal motivação da existência da internet: conectar pessoas. Portanto, é bem-vindo utilizar a IA para pesquisa, produção de conteúdo e criatividade. No entanto, seu uso não se limita a uma mera ferramenta de apoio; estamos testemunhando a substituição integral das personas na internet.

A IA, programada por grupos, assume o papel de persona completa (incluindo perfil, textos, imagens e vídeos) e interage com fãs e críticos. Agora, além dos acessos e coleta de informações, entramos na era da automação de conteúdo e relacionamentos. Basta atingir um certo número de personas automatizadas para que informações sejam disseminadas por meio de diálogos entre máquinas.

Esses diálogos entre máquinas influenciam os algoritmos que criam as bolhas nas redes sociais, e os conteúdos gerados alimentam os algoritmos de coleta para pesquisa e criação de novos materiais. Não é difícil imaginar uma internet com queda na qualidade da informação, prejudicando a tomada de decisões e afastando as pessoas de seu uso. Poderíamos chegar a um ponto em que a internet estaria praticamente ocupada por máquinas, considerada “morta” e sem a presença real de seres humanos.

Nesse ponto, acredito que a Teoria da Internet Morta falha, pois a internet sem pessoas não faz sentido. As pessoas estão aqui para se conectar, e essa premissa não mudou desde o início da rede.

Na prática, existem forças contrárias que podem ser aplicadas a esse movimento de automação excessiva, e devemos observá-las nos próximos anos. São elas:

a) Aumento dos Custos de Infraestrutura: Com 48% do tráfego automatizado, fica evidente que muitos recursos estão sendo desperdiçados. Em algum momento, empresas e prestadores de serviços perceberão isso. Já conseguimos demonstrar economia ao bloquear robôs de acesso aos sites das empresas.

b) Queda na Qualidade do Conteúdo e Assertividade: A geração automatizada de conteúdo reduz a capacidade dos algoritmos de entregar informações relevantes. Isso resulta em superexposição de assuntos que podem não interessar à maioria dos usuários. A falta de assertividade pode impactar negativamente as vendas de produtos e serviços. Hoje, já observamos mídias sociais que não entregam conteúdo relevante e foram abandonadas comercialmente pela maioria dos usuários.

c) Regulamentação em Diferentes Países: Muitas nações estão adotando regulamentações agressivas em diversos setores. A internet tornou-se um campo de batalha para corações e mentes, capaz de desagregar famílias e nações. A tendência é que a regulamentação aumente ainda mais.

d) Maturidade dos Usuários e Percepção de Qualidade: Os usuários estão desenvolvendo uma melhor percepção da qualidade do conteúdo e das fontes. Além disso, esperam entregas relevantes por parte das plataformas. Para se diferenciar em um mundo onde a IA transforma conhecimento em commodities, as pessoas precisarão dedicar mais esforço para receber informações de qualidade.

Portanto, embora eu não acredite na “Teoria da Internet Morta”, posso imaginar que chegaremos a um ponto crítico em que a internet terá que se adaptar às pressões dessas forças. Se essa adaptação será gradual ou terá momentos de ruptura, só o tempo dirá. Até lá, mantenhamos a esperança de que retornaremos, em algum momento, à nossa visão utópica da internet, onde a democratização do acesso à informação e a conexão entre as pessoas contribuirão para um mundo melhor.”

Referencias

(*) Um hoax é um tipo de boato ou embuste que se espalha na internet por meio de e-mails ou redes sociais, como Facebook, Twitter e Google+. Essas mensagens alcançam um grande número de pessoas e geralmente contêm informações distorcidas, baseadas em dados incompletos ou falsos. Diferentemente do típico SPAM, que visa promover produtos ou golpes, o hoax não é automatizado. Sua propagação ocorre quando uma pessoa compartilha o boato com outras, criando um efeito cascata. Esses boatos costumam explorar emoções, como comoção, para atrair a atenção e convencer os indivíduos

(**) https://canaltech.com.br/internet/robos-sao-quase-metade-do-trafego-da-internet-por-enquanto-272495/

(***) IoT: até 2025, mais de 27 bilhões de dispositivos estarão conectados – Forbes

Rodrigo Jonas Fragola

Profissional destacado na área de segurança da informação, com uma trajetória de mais de 26 anos. Reconhecido como pioneiro em soluções tecnológicas inovadoras, Fragola contribuiu significativamente para o desenvolvimento do primeiro firewall nacional. Graduado em Ciência da Computação pela Universidade de Brasília, ele se especializou em Segurança de Rede e Inteligência Artificial, integrando habilidades técnicas a uma visão estratégica profunda.

Como palestrante em eventos de prestígio, tais como Gartner Security, Security Leaders e Mind The Sec, Fragola compartilha seu conhecimento extensivo, impactando o setor nacional e internacional. Seu trabalho inovador e dedicação ao campo lhe valeram reconhecimentos importantes, incluindo a “Medalha do Mérito Buriti” do Governo do Distrito Federal e o prêmio “A Nata dos Profissionais de Segurança da Informação”.

Atualmente, Fragola lidera como CEO da Ogasec Cyber Security e é presidente da Assespro-DF e Diretor-Adjunto de Cibersecurity e Defesa da Federação Assespro. Além disso, desempenha papéis chave como conselheiro da ABES e membro da Câmara Nacional de Cibersegurança (CNCiber) do GSI/PR.

Para mais informações, confira seu currículo completo: http://lattes.cnpq.br/2884780719728393

Visite nosso site para mais informações: https://www.ogasec.com

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